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DIA DO ESTUDANTE

Estudantes de hoje querem participação, aulas práticas, tecnologia e foco no emprego

Escrito por GERALDO BULHOES BITTENCOURT FILHO | Criado: Sábado, 10 de Agosto de 2019, 14h35

Site 2 Gleidson e Carla BeatrizOpinião de alunos do IFS vai ao encontro do resultado de uma pesquisa sobre o tema que ouviu mais de 130 mil jovens de todas as regiões do Brasil

A época em que os estudantes ficavam satisfeitos somente com as aulas expositivas do professor e tinham a escola como um espaço de convivência transitório definitivamente passou. O aluno da segunda década do século XXI estabelece outro tipo de relacionamento com a educação: ele quer mais envolvimento com as ações da instituição e atividades fortemente marcadas pelo viés prático e pelo uso abundante da tecnologia – tudo isso sem perder de vista o foco no emprego. O perfil do alunado de hoje teve as linhas traçadas por uma pesquisa com mais de 130 mil jovens de todas as regiões do Brasil. E em cada data como a de hoje, 11 de agosto, na qual é comemorada o Dia do Estudante, é possível observar o aumento da predominância das características evidenciadas no estudo, as quais vão também ao encontro das expectativas de discentes de vários campi do Instituto Federal de Sergipe (IFS).

A pesquisa foi conduzida pelo programa Porvir, do Instituto Inspirare, e teve como objetivo identificar o que os jovens de 13 a 21 anos pensam da escola e como gostariam de que ela fosse – o resultado das opiniões deu origem a um estudo batizado de “Nossa Escola em (Re)Construção”. Em um recorte específico para os alunos da rede pública de Sergipe, como o IFS, o estudo aponta que 67% dos entrevistados acreditam que, na escola, aprenderiam mais com os estudos de “robótica e programação” e se tivessem orientação voltada para empregabilidade e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Eles ainda dizem que se sentiriam mais felizes “fazendo projetos práticos” através de "ferramentas de criação de vídeos, fotos, áudios”, por exemplo. Em todas os quesitos da análise, os estudantes mostraram optar por formas não-convencionais para aprender o conteúdo proposto pela escola.

Gleidson Rodrigues SantosUm dos estudantes que mais se motivam com a forma de educação que a pesquisa do programa Porvir aponta é Gleidson Rodrigues Santos, do segundo ano do curso integrado de eletromecânica do Campus Lagarto. E o interesse do jovem por um aprendizado mais participativo é visível: por iniciativa própria, ele antecipou o fim das suas férias para adiantar as atividades de laboratório de uma pesquisa que desenvolve com um professor de biologia. Segundo Gleidson, o prazer em desempenhar as tarefas é reflexo do ambiente estimulante que a instituição proporciona, com atividades que vão além do tradicional tripé professor-aluno-lousa. “Fazem a diferença os eventos dos cursos, como as jornadas; os jogos interclasse; os grupos de pesquisa voltados para alunos do ensino médio; e o estimulo à participação em olimpíadas”, diz Gleidson, que vê com otimismo os desafios que o esperam tanto para ingresso no ensino superior quanto para obtenção de emprego.

Participação

Para entender de forma mais precisa o que os estudantes de hoje buscam das instituições de ensino, especialmente as públicas, um grupo de 25 jovens de todas as regiões do país ajudaram na construção do questionário da pesquisa do Instituto Porvir e na sua aplicação, bem como na divulgação do projeto e análise das respostas. A metodologia pela qual os alunos se envolvem em todas as fases do processo é chamada de PerguntAção e o resultado reflete as opiniões dos participantes sobre o contexto em que estão inseridos. As conclusões do estudo mostraram que os alunos, além de preferirem atividades extraclasse e o uso de tecnologia, desejam melhorias na alimentação escolar e um ambiente que permita mais interação entre os estudantes e abra espaço de escuta para as decisões da instituição.

As atividades junto ao Laboratório de Inovação e Criatividade (Labic) são as que mais atraem o aluno do curso de engenharia elétrica do Campus Lagarto, Michael Santana Reis. Sobre a utilização do espaço, porém, o jovem de 22 anos ressalta um aspecto inusitado para justificar a sua preferência: a liberdade e a confiança que os docentes depositam nos estudantes durante as atividades no local. “Apesar de ter supervisão constante, sentimos que os professores nos deixam livres para ousar nas nossas pesquisas e dão sempre acesso ao laboratório. Sinto que isso é necessário: confiarem mais na gente no que toca ao uso dos equipamentos da instituição, inclusive nos sábados e feriados”.  Michael também analisa como positivo o hábito conjunto da prática esportiva no IFS: “Muitos alunos precisam permanecer mais de um turno na instituição e o esporte é um fator de socialização importante entre os estudantes dos mais diversos períodos do curso”, reconhece.

Carla BeatrizCarla Beatriz Silva Cruz, aluna do curso técnico em eletromecânica, também do Campus Lagarto, é uma estudante que nasceu em época cujos aparatos tecnológicos das mídias digitais já estavam disponíveis e deseja frequentar um ambiente escolar mais marcado pela possibilidade de escuta e de ocupação de espaços. Ao ser questionada sobre as possíveis mudanças na forma com que a educação é ofertada para os estudantes, de modo geral, ela não hesita em apontar a necessidade de os gestores ouvirem os alunos em relação a reclamações ou ideias. “Eu gosto de me envolver em projetos ligados tanto às disciplinas técnicas, quanto às do ensino médio. Eu sempre estou à procura de algo para participar”, ressalta a jovem, que não deixa de reconhecer a qualidade do IFS em possibilitar o engajamento em projetos variados, os quais não necessariamente são ligados ao seu curso, mas aumentam o leque de conhecimento do discente.

Emprego

Para atrair ainda mais os estudantes para o contexto da pesquisa, algumas perguntas foram formuladas de acordo com o vocabulário pertencente ao universo dos mais jovens. Para questionamentos sobre o preparo para obtenção de emprego ou aprovação em processos seletivos, por exemplo, os participantes foram convidados a dar uma nota de 1 a 5 – se a opinião era a de que a escola não dava elementos para que os estudantes se testassem além dos seus muros, ou seja, caminhava para uma avaliação negativa, eles assinalavam “tá tenso”; se a instituição era dinâmica e permitia ao seu corpo discente a possibilidade de obter resultados práticos e acadêmicos diversos, eles podiam se expressar com “tá tranquilo, tá favorável”.

Candido 2E é justamente de forma positiva que Cândido Eduardo Souza Paulino, do curso integrado em Manutenção e Suporte em Informática, do Campus Itabaiana, avalia o esforço do IFS em dar elementos para que os estudantes enfrentem os desafios naturais da vida – os quais, segundo o jovem de 16 anos, são a preparação para o Enem e a inserção no ambiente profissional remunerado. “As atividades práticas, durante as quais é preciso mais que o caderno e a caneta para participar, são as mais positivas, pois simulam o universo do trabalho. No fim das contas, eu espero que o instituto me prepare para obter um emprego, uma vez que se trata de curso técnico que pode proporcionar uma rápida colocação”.

Tecnologia

Dentro da esfera o IFS, algumas iniciativas já foram empreendidas no sentido de ajudar os estudantes no alcance das suas aspirações através da preocupação em tornar o acesso à educação ainda mais interessante – um dos exemplos foram as recentes parcerias educacionais firmadas com empresas como Google e Microsoft. E outras ações estão em processo de desenvolvimento: em termos de gestão, uma coordenação de tecnologias educacionais será estruturada com a finalidade de incentivar o uso das tecnologias em sala de aula, bem como capacitar aqueles professores que têm mais dificuldade. A Diretoria de Educação a Distância, que é responsável por uma das modalidades que mais crescem no Brasil, também é alvo de melhorias e atravessa um momento de reformulação. E os cursos ofertados pela instituição à sociedade também passam por análises constantes – pelo fato de o IFS ser uma instituição tecnológica, os responsáveis pela gestão do ensino buscam atualizações nos cursos para torná-los cada vez mais inseridos no universo do trabalho e preparados para as mudanças do mundo globalizado.

Segundo a reitora Ruth Sales Gama de Andrade, o IFS é uma instituição que leva à sociedade ensino, pesquisa e extensão e está em um processo de atualização constante, no qual professores e alunos conhecem de perto o que é feito de melhor no mundo nas modalidades de ensino ofertadas. “A visão do IFS para os estudantes concebe uma formação cidadã focada na inserção no mundo do trabalho, através do ensino integrado à pesquisa e à extensão. E é através do esforço diário dos educadores para realizar este intento que demonstramos nosso respeito e preocupação".

Apesar das preferências individuais dos estudantes, o pró-reitor de ensino do IFS, Alysson Barreto, explica que a discussão sobre o foco das instituições da Rede Federal é frequente entre especialistas e gestores. De acordo com o pró-reitor, muitos acreditam que os alunos buscam os Institutos Federais apenas por quererem aprovação no Enem ou colocação profissional, mas ele garante que o objetivo de instituições como o IFS é o de oferecer educação pública, gratuita e qualificada. “Isso pode ser traduzido tanto na oferta de cursos técnicos e de graduação, mas também na oferta do ensino médio integrado, os quais têm sido destaque nas avaliações nacionais justamente pela qualidade que possuem”, explica Alysson, que engrossa o coro daqueles que não concordam com a ideia de que o IFS pode ser visto apenas como instrumento de acesso. “Nós estamos comprometidos com a formação de um sujeito crítico, capaz de intervir na sociedade, e isso é muito mais que aprovação no Enem ou formação de mão de obra”, alerta.

Estudantes como Gleidson, Carla Beatriz, Michael e Cândido, nascidos após os anos 2000, ou seja, pertencentes à geração Z, acostumaram-se com o dinamismo da internet, ambiente no qual é possível, de forma visualmente atraente e interativa, ver, ouvir, conversar, se divertir e, principalmente, aprender. Eles têm opinião unânime em relação ao espaço educativo ideal para desenvolverem suas habilidades: deve ser aquele hiperconectado, em que tudo acontece ao mesmo tempo e em todo lugar, especialmente com a utilização de aparelhos celulares. A educação de hoje precisa acompanhar uma velocidade e um fluxo de informação inimaginável há 50 anos para alunos, instituições e professores. E a mudança nos padrões é uma realidade sem volta para as escolas que já se adequaram e um caminho inevitável para as que insistem no modelo vigente na segunda metade do século passado – definitivamente, o futuro já chegou.

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