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ARTE EM TODA PARTE

Servidores e alunos do IFS desengavetam projetos pessoais na quarentena

Criado: Quarta, 20 de Mai de 2020, 14h55 | Publicado: Quarta, 20 de Mai de 2020, 14h55 | Última atualização em Quarta, 27 de Mai de 2020, 13h21

Além de melhor aproveitar o tempo, eles colocam em prática o desejo de fazer arte que sempre deixaram para depois

Por Anderson Ribeiro

AliceAlice Santos tem 24 anos, é servidora técnico administrativa do IFS - Campus Tobias Barreto, jornalista e mestranda em comunicação. Luzia Adriane tem 20 anos, é desenhista e aluna do 4º período do curso de Licenciatura em Física do IFS - Campus Lagarto. Já Tiago Silva tem 38 anos, é escritor e professor de Inglês do IFS - Campus Estância. Para além de fazerem parte da mesma instituição, o que os conecta é uma outra coisa: a arte.

Seja cantar, dançar, tocar, desenhar, pintar, fazer artesanato, costurar, escrever, decorar, redecorar, o que importa mesmo é abrir as gavetas dos armários e mesas do tempo; espanar a poeira acumulada e ressignificar as ideias com o tempo a favor. Foi o que Alice, Luzia e Tiago fizeram. Por causa do isolamento social provocado pela Covid-19 e, portanto, longe do cotidiano de pegar ônibus, trabalhar, estudar, realizar as dezenas de tarefas domésticas e prepararem-se para fazer tudo de novo, eles estão investindo o tempo para pôr em prática os projetos pessoais sempre deixados para depois.

A MELÓDICA DISCIPLINA DE ALICE SANTOS

Caetano Veloso, em sua composição Tigresa, declarou: "Como é bom poder tocar um instrumento". Foi pensando assim que Alice começou a dar formas ao seu sonho. "Eu sempre tive muita vontade de aprender a tocar um instrumento, mas achava que já estava velha demais pra começar. Porque a gente sempre ouve histórias de pessoas ligadas a música que aprenderam desde cedo", revelou Alice. Mas um amigo a incentivou e a fez desistir de abandonar a ideia; ela então escolheu o ukulele.

"É um instrumento mais "fácil" de aprender, por ser menor e mais simples de manusear do que um violão, por exemplo; e também porque ele só tem quatro cordas", explicou. Autodidata, ela estuda por meio de vídeos de tutoriais para ukulele e consultando amigos que têm experiência com o instrumento. "Improvisar no jeito de tocar as músicas e tentar trazer a minha personalidade pra elas é a parte que eu tenho achado mais legal", comentou.

Alice não pretende ser uma musicista profissional. Ela quer tocar as músicas que gosta, por 'hobby'. "Eu não tinha um objetivo especifico em aprender, sabe? Foi meio que uma tentativa de realizar algo que eu sempre quis fazer, e no fim das contas tem sido muito bom nesse período de isolamento social porque é uma coisa a qual eu posso me dedicar e conseguir abstrair um pouco de tudo que tá acontecendo. Eu nunca pensei que eu iria aprender com tanta facilidade, tem mais ou menos um mês e meio que estou tocando e já me sinto segura pra tocar cerca de 10 músicas. Eu nunca tinha tocado nada na vida. Então, de certa maneira, acho que tem sido um ótimo estímulo pessoal e criativo também", afirmou.

AdrianeA FORÇA DO TRAÇO DE LUZIA ADRIANE

Com o auto desafio de deixar os seus desenhos - que começou na infância - mais realistas, Luzia Adriane arregaçou as mangas e foi à luta. Também autodidata, no início fazia caricaturas, mas há cerca de cinco meses começou a estudar o realismo. "Eu gosto bastante de coisas que me desafiem, e desenhar me desafia bastante", disse. Luzia desenha com lápis de cor e com ele dá luz e sombra, cores, formas, vida e sentido à sua arte.  "Quando eu desenho é como se minha mente e minha energia se reiniciassem, eu fico leve. É como seu eu deixasse tudo de mim no papel", descreveu.

Messi 2O recomeço das atividades artísticas causado pelo isolamento social, além de ajudar a lidar com a ansiedade, vai se tornar, enfim, uma profissão. Após a pandemia da Covid-19, Luzia pretende comercializar seus desenhos. "Decidi que o desenho sempre vai fazer parte da minha vida, vou reservar sempre um tempo para desenhar, pois me ajuda a equilibrar e lidar melhor com a vida. Eu pretendo levar meus desenhos para além de um hobby, terapia. Quero trabalhar com encomendas para ter uma renda, já que eu não trabalho, só estudo", projetou.

Mas se engana quem acha que ela vai deixar de exercer a profissão que está se preparando no IFS. "Eu quero ser além de uma professora de Física, ser reconhecida também pelos meus desenhos. Tenho um instagram de arte (@luziaadriane_art), onde eu sempre posto meus desenhos. É onde tento fazer com que eles alcancem mais pessoas para que sintam um pouco através dos meus desenhos o que isso tudo representa para mim, e quem sabe queiram eternizar momentos seus através da minha arte", definiu.

A INQUIETUDE LITERÁRIA DE TIAGO SILVA

TiagoHá um ditado que diz que o ser humano em sua existência tem, entre outras tarefas, que escrever um livro e, isso, Tiago Silva já fez. Ele lançou no ano passado, pela EDIFS, a editora do IFS, "O Não-Lugar em Elizabeth Bishop": uma crítica literária da obra da poeta estadunidense que viveu no Brasil por quase 20 anos e representou o país e sua gente em vários de seus poemas e cartas. Esse livro de estreia de Tiago levou cinco anos para ser concluído. "Fiz uma investigação de toda a obra da poeta. Além do texto literário, tentei conectar a literatura produzida por ela e sua vida, buscando em cartas, anotações em diários e outros materiais biográficos que ela deixou, evidências de uso poético de suas vivências", destacou.

De acordo com o autor, a intenção foi entender como as experiências que Elizabeth Bishop viveu influenciaram sua arte e os textos que a tornaram uma das escritoras mais importantes de sua geração, sendo reconhecida internacionalmente também por ser vencedora de prêmios como o Pulitizer, por exemplo. Para conseguir tentar entender a artista, Tiago seguiu os caminhos dela e visitou as casas as quais ela morou nas Américas. "Conheci a Casa Marina, em Ouro Preto, Minas Gerais; a casa que ela viveu com os avós, em Great Village, em Nova Escócia, no Canadá; e a última casa em que morou, localizada em Boston, nos Estados Unidos", completou.

Além de se dedicar a obra de Elizabeth Bishop, Tiago Silva trabalha com um coletivo formado por alunos do Campus Estância, onde é professor de Inglês. Ele e a servidora Lu Silva estão produzindo um livro de poesias do Coletivo (RE)Existir, ainda sem título oficial. "A ideia é reunir textos poéticos dos alunos participantes do projeto de extensão "Coletivo (RE)Existir: Literatura, Audiovisual e Performance", financiado com recursos do Edital Culturarte Integração da Propex (Pró-reitoria de Pesquisa e Extensão do IFS), e lançá-los até o fim deste ano pela EDIFS.

O objetivo é promover reflexões sobre o lugar de cada um no mundo e colaborar para que os jovens de Estância apareçam como protagonistas, abordando diferentes experiências e emoções. "Dessa forma, acreditamos contribuir para o desfazimento de estereótipos e preconceitos que aprisionam o jovem dentro daquilo que a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie chamou, falando de sua própria experiência, de 'história única', uma visão limitada do outro e da realidade que dificulta o respeito à diversidade, à pluralidade, e o empoderamento das pessoas", enfatizou Tiago.

E não é tudo. Tiago ainda está numa outra empreitada em parceria com a colega de campus, a professora Jocelaine Oliveira dos Santos, e com a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rafaella Teotônio. Eles estão organizando um livro chamado de "O Lugar do Outro: Representações da Alteridade na Literatura e no Cinema", que vai reunir ensaios de estudiosos de várias partes do Brasil, que pensam representações da alteridade, visões do outro, de grupos minoritários, tratados por escritores de diferentes nacionalidades e em diferentes momentos da história. "Este livro passará pela literatura brasileira, estadunidense, portuguesa, moçambicana, angolana, francesa e argentina, discutindo formas de representação do outro que pode ser o indígena, o negro, enfim. Está em fase de elaboração e com vistas para ser lançado também pela editora do instituto", finalizou.

 

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