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HORTAS ESCOLARES

Hortas pedagógicas do Campus Poço Redondo ganham espaço em livro de circulação nacional

Publicado: Segunda, 13 de Abril de 2026, 09h25 | Última atualização em Segunda, 13 de Abril de 2026, 10h28

foto 1Projeto do IFS desenvolvido em quatro escolas públicas de Sergipe será lançado em publicação do governo federal hoje, 13 de abril, entre 43 experiências aprovadas em todo o país

A experiência do Instituto Federal de Sergipe - Campus Poço Redondo com a implantação de hortas pedagógicas em escolas públicas de Sergipe vai ganhar alcance nacional com o lançamento hoje, 13 de abril, do livro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome sobre agricultura urbana e periurbana. O trabalho desenvolvido pelo campus aparece entre 43 experiências selecionadas e aprovadas em todas as regiões do país, num processo que recebeu 93 inscrições e passou por duas etapas de avaliação. No caso sergipano, o projeto teve como foco escolas situadas em territórios de maior vulnerabilidade social, com a proposta de ligar produção de alimentos, formação ambiental e uso pedagógico da horta no cotidiano escolar.

A ação alcançou quatro escolas da rede pública, sendo três na zona rural de Poço Redondo e uma na periferia de Aracaju. As unidades atendidas foram a Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no assentamento Jacaré Curituba, o Colégio Municipal Dom José Brandão de Castro, o Centro Estadual de Educação Profissional Dom José Brandão de Castro e o Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa. As escolas foram escolhidas com base em critérios objetivos, como disponibilidade de área para implantação das hortas, com espaços de cerca de 100 metros quadrados, além do perfil socioeconômico das comunidades escolares. A proposta central era enfrentar o déficit nutricional de estudantes da rede pública e, ao mesmo tempo, transformar a horta em instrumento de aprendizagem prática sobre cultivo, alimentação saudável e conservação dos recursos naturais.

O projeto foi estruturado em cinco metas e contou com quatro bolsistas orientados pela equipe técnica do Núcleo de Estudos Agroecológicos do IFS. A primeira etapa reuniu oficinas, minicursos e palestras sobre agroecologia, compostagem, segurança alimentar e hortas pedagógicas. Na sequência vieram a implantação dos canteiros, o plantio das hortaliças e a entrega de kits com ferramentas, sementes e sistemas de irrigação para as escolas. Depois, o trabalho avançou para o acompanhamento contínuo das hortas, com reuniões quinzenais e integração do espaço ao processo educativo. Parte da produção, com itens como alface, couve, rúcula, cenoura, beterraba, milho e plantas medicinais, foi destinada à merenda escolar. Em 2024, esses resultados foram apresentados no evento Hortas Escolares e suas Contribuições na Formação Discente e I Seminário da Agricultura Urbana e Periurbana no Alto Sertão Sergipano.

Do semiárido para outras escolas

foto2Além do alcance prático nas comunidades atendidas, a experiência também chamou atenção pelo esforço de adaptação ao semiárido sergipano e pelos desafios enfrentados na rotina escolar. O projeto esbarrou, de um lado, na limitação de tempo da comunidade escolar para manter as atividades da horta ao longo da semana, diante da carga horária de professores e da sobrecarga de funções administrativas; de outro, nas condições de solo e clima encontradas em Poço Redondo, que exigiram mais dedicação dos bolsistas e da equipe técnica. Para contornar parte desses obstáculos, algumas ações passaram a integrar os sábados letivos, estratégia que ampliou a participação da comunidade escolar, especialmente no Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa. Ao mesmo tempo, o campus revitalizou sua horta agroecológica para servir de espaço de apoio às escolas, com testes de germinação de sementes, práticas de irrigação, elaboração de caldas e biofertilizantes e outras soluções de base agroecológica antes da aplicação direta nas unidades atendidas.

foto 3De acordo com Irinéia Rosa do Nascimento, diretora geral do Campus Poço Redondo e autora da submissão da experiência, a iniciativa reúne elementos que ajudam a explicar por que o projeto ultrapassou o alcance local e foi selecionado para a publicação nacional. Segundo ela, a ação desenvolvida no semiárido sergipano articula desafios concretos de desenvolvimento e inovação com práticas que podem ser adaptadas a outras realidades, ao mesmo tempo em que valoriza características culturais e regionais do território, estimula a participação da comunidade escolar e adota métodos de acompanhamento capazes de medir impactos e resultados. “A experiência desenvolvida no Campus Poço Redondo apresenta os desafios para o desenvolvimento e a inovação, que poderão servir de inspiração para outras iniciativas e aplicação em outros contextos”, afirma a diretora, para quem o projeto também reflete uma atuação intersetorial ligada a elementos culturais e regionais e à participação comunitária.

Outro ponto que ajudou a destacar o trabalho foi a parceria com o Campus Lagarto para introdução de irrigação automatizada na horta experimental do Campus Poço Redondo. A tecnologia foi pensada como resposta a um problema recorrente das hortas escolares, que é a manutenção nos fins de semana, recessos e férias, quando faltam pessoas para garantir os cuidados diários. A proposta buscou disseminar sistemas de irrigação automatizada de fácil acesso, tanto para escolas quanto para comunidades rurais, com foco na eficiência do uso da água e na sustentabilidade da produção. Com financiamento de R$ 130 mil, o projeto terminou formalmente, mas as escolas manifestaram interesse em retomar e ampliar as atividades. Esse dado ajuda a medir o tamanho do legado deixado pela iniciativa, que saiu de quatro unidades escolares de Sergipe para uma publicação nacional do governo federal.

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