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SOB NOVA DIREÇÃO

NEABI/IFS elege nova coordenação e amplia compromisso com a educação antirracista

Publicado: Segunda, 05 de Outubro de 2026, 11h35 | Última atualização em Segunda, 05 de Outubro de 2026, 11h35

NEABI Novas LiderançasNova gestão assume para o biênio 2026-2028 com foco na equidade étnico-racial, na formação da comunidade acadêmica e no fortalecimento das ações de acesso, permanência e êxito estudantil

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do Instituto Federal de Sergipe (NEABI/IFS) inicia uma nova etapa de sua trajetória com o compromisso de fortalecer a educação antirracista e as políticas de equidade étnico-racial na instituição. Em reunião realizada na noite da última quinta-feira (1º), o Comitê Gestor elegeu, por aclamação, o professor Dr. Lucio Dias como coordenador e a professora Dra. Eline Santos como coordenadora suplente para o biênio 2026-2028.

A nova gestão assume em um momento de consolidação da estrutura institucional do NEABI e de ampliação das ações desenvolvidas nos campi. Entre as prioridades estão o fortalecimento da formação antirracista de servidores, a participação estudantil, a valorização dos saberes afro-brasileiros, africanos e indígenas e a articulação entre ensino, pesquisa, extensão e inovação.

Mais do que promover atividades específicas, o núcleo busca contribuir para que a educação antirracista esteja incorporada ao cotidiano institucional, alcançando currículos, projetos pedagógicos, políticas de permanência, ações de acolhimento e espaços de decisão. A perspectiva também está relacionada à garantia de condições para que estudantes negros e negras, indígenas, quilombolas e integrantes de povos e comunidades tradicionais tenham seus saberes, identidades e direitos reconhecidos no ambiente educacional.

Para Lucio Dias, assumir a coordenação significa dar continuidade a uma construção coletiva iniciada há anos no IFS. “Compreendo o NEABI como uma construção coletiva, histórica e permanente, que precisa estar cada vez mais presente na vida institucional”, afirma.

Segundo o coordenador, um dos principais desafios da nova gestão será transformar os princípios da equidade racial em ações concretas. “Nosso desafio é transformar esses princípios em políticas e ações concretas, fazendo com que a diversidade esteja presente nos currículos, nos projetos, nas políticas de permanência e também nos espaços de decisão”, explica.

Educação antirracista como compromisso institucional

A atuação do NEABI está diretamente relacionada às diretrizes estabelecidas pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na educação brasileira. No IFS, o núcleo atua para contribuir com a implementação dessas perspectivas e para ampliar o debate sobre relações étnico-raciais em diferentes espaços da instituição.

Nesse processo, a educação antirracista é compreendida como uma ação permanente de formação, reflexão e transformação das práticas institucionais. Isso envolve não apenas a abordagem de conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileira e indígena, mas também o enfrentamento ao racismo, a valorização da diversidade e a criação de ambientes educacionais mais inclusivos.

A nova coordenação pretende ampliar esse trabalho por meio da formação pedagógica, da produção de materiais, do desenvolvimento de ações nos campi e da aproximação com movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais.

Para Eline Santos, a participação estudantil será um dos elementos centrais dessa nova etapa. A professora defende a ampliação dos espaços de diálogo e a realização de encontros presenciais como forma de fortalecer vínculos e construir coletivamente as ações do núcleo. “Que sigamos aquilombando estudantes, servidores e sociedade civil no enfrentamento ao racismo”, ressalta.

A proposta também considera o NEABI como espaço de acolhimento e fortalecimento das trajetórias acadêmicas. Ao promover o reconhecimento das identidades e dos diferentes saberes que compõem a comunidade do IFS, o núcleo contribui para as políticas de acesso, permanência e êxito estudantil.

Uma construção que vem dos campi

A história do NEABI no IFS é marcada por uma construção progressiva de sua institucionalidade. O núcleo surgiu na Reitoria, inicialmente vinculado ao Gabinete da Reitoria como órgão sistêmico, ao lado de outros núcleos relacionados aos direitos humanos, à diversidade e à inclusão. Posteriormente, passou a integrar a Diretoria de Desenvolvimento Institucional, vinculada à Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional (PRODIN).

A institucionalização ocorreu por meio da Portaria nº 555, de 1º de março de 2019. A professora Lindamar Oliveira da Silva foi a primeira coordenadora, designada pela Portaria nº 898, de 8 de abril daquele ano. Atualmente aposentada, desenvolveu no Campus São Cristóvão ações voltadas à equidade e às relações étnico-raciais, incluindo trabalhos relacionados aos povos indígenas.

Em fevereiro de 2021, a coordenação passou ao professor Alexandre Santos de Oliveira, designado. Durante sua gestão, o NEABI ampliou suas ações formativas, a presença nos campi e o diálogo com a comunidade acadêmica e a sociedade civil.

Entre as iniciativas desenvolvidas nesse período está o projeto Imaginários Negros, iniciado em 2022. Com mais de dez encontros transmitidos pelo canal institucional do IFS, a iniciativa promoveu discussões sobre temas como Lei de Cotas, identidade negra, saberes africanos, povos indígenas em Sergipe, mulheres negras no cinema e ensino de Ciências em uma perspectiva antirracista.

No ano seguinte, o Projeto Aquilombar percorreu os campi do Instituto, fortalecendo o diálogo com as comunidades acadêmicas. Também em 2023, o Novembro Negro foi realizado pela primeira vez em todas as unidades do IFS.

A trajetória inclui ainda a criação da página institucional do NEABI, a constituição do Ananse – Grupo de Estudos das Questões Étnico-Raciais, o levantamento de dados de autodeclaração étnico-racial dos estudantes e a participação na elaboração e oferta de cursos de formação para servidores.

Novo regulamento fortalece atuação nos campi

Outro marco importante foi a aprovação do Regulamento do NEABI, por meio da Resolução CS/IFS nº 351, de 28 de novembro de 2025. O documento formalizou o NEABI Reitoria e os NEABIs dos campi, estabelecendo sua estrutura organizacional e diretrizes para ações de ensino, pesquisa, extensão e gestão.

Em 2026, a implementação dessa estrutura passou a orientar os planejamentos locais e as reuniões sistemáticas do Comitê Gestor. O período também é marcado por iniciativas de diálogo com a sociedade civil, ações vinculadas ao Edital Escola Nego Bispo e participação na Jornada Estudantil do IFS, em parceria com a Diretoria de Assistência Estudantil.

A consolidação dos núcleos nos campi amplia a possibilidade de que as ações relacionadas à equidade racial sejam construídas a partir das diferentes realidades vivenciadas pela comunidade acadêmica.

Continuidade e novos desafios

Ao encerrar sua gestão, Alexandre Santos de Oliveira destaca o caráter coletivo das conquistas alcançadas pelo NEABI nos últimos anos. “Despeço-me do NEABI com uma profunda consciência de dever cumprido. Liderar a luta por direitos não se constitui numa tarefa fácil”, afirma.

Para o professor, o acolhimento e o afeto estiveram entre os fundamentos de sua atuação, especialmente na relação com estudantes negros e negras e com os novos servidores que ingressaram na instituição. “As conquistas desse período foram produto de trabalho coletivo, ninguém se constrói sozinho”, ressalta.

A nova coordenação parte dessa trajetória para estabelecer os próximos passos. Entre os desafios estão o fortalecimento da infraestrutura e do financiamento dos núcleos, a ampliação da formação antirracista e a consolidação das políticas de equidade racial no planejamento institucional, nos currículos e nas ações de acolhimento e permanência.

Lucio Dias ressalta que a nova gestão será construída de forma participativa, envolvendo diferentes segmentos da instituição e da sociedade. “Esta não será uma gestão individual. Será uma construção coletiva, em diálogo com os NEABIs dos campi, estudantes, servidores, gestores, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais e a sociedade civil”, afirma.

Eline Santos também destaca a dimensão coletiva do trabalho e a responsabilidade com as próximas gerações. Para a professora, fortalecer o NEABI significa reconhecer as trajetórias daqueles que abriram caminhos e, ao mesmo tempo, criar novas possibilidades para estudantes e servidores. “Chegamos! Chegamos para ficar e pavimentar caminhos para os que virão, assim como fizeram por nós”, declara.

Com a nova coordenação, o NEABI/IFS inicia o biênio 2026-2028 reafirmando a educação antirracista como uma construção permanente. A proposta é ampliar o diálogo, fortalecer a participação da comunidade acadêmica e contribuir para que a diversidade étnico-racial esteja cada vez mais presente nas práticas educativas e institucionais do Instituto Federal de Sergipe.

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