IFS lança projeto de R$ 1,4 milhão para qualificar 600 pessoas em Sergipe
Executado pelo Instituto, o Comunidade Criativa integra a frente de capacitação do Acredita no Primeiro Passo, programa federal que também atua no acesso ao emprego, no empreendedorismo e no crédito
O Instituto Federal de Sergipe (IFS) lançou, nesta sexta-feira, 26, o Projeto Comunidade Criativa, iniciativa que destinará mais de R$ 1,4 milhão à qualificação de 600 pessoas em situação de vulnerabilidade social. A cerimônia foi realizada na Reitoria, em Aracaju, e formalizou a participação do Instituto no Acredita no Primeiro Passo, programa coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Em Sergipe, o IFS será responsável pela execução da frente de capacitação profissional. O projeto terá dois polos tecnológicos, instalados na Reitoria e no Campus Lagarto, com turmas de 30 participantes. Das 600 vagas previstas, pelo menos 60% serão destinadas às mulheres e até 40% aos homens. Cooperativas também poderão participar das formações.
O Comunidade Criativa oferecerá cursos de modelagem de vestuário, estampagem de tecidos, guia de turismo e vendas e atendimento ao cliente. A estrutura inclui material didático, transporte, lanche e oficinas de empreendedorismo social. Os polos serão equipados para receber as atividades e apoiar a transformação dos conhecimentos adquiridos em trabalho, prestação de serviços ou pequenos negócios.
A capacitação, porém, é apenas uma parte do Acredita no Primeiro Passo. Voltado às pessoas inscritas no Cadastro Único, o programa federal reúne qualificação profissional, encaminhamento para vagas de emprego, apoio ao empreendedorismo e acesso a microcrédito com condições diferenciadas. A iniciativa atende pessoas de 16 a 65 anos e prioriza mulheres, jovens, pessoas negras, pessoas com deficiência e integrantes de comunidades tradicionais.
Capacitação conectada a emprego e crédito
Diretor do Departamento de Apoio à Inserção no Trabalho do MDS, Saumíneo da Silva Nascimento explicou que os participantes interessados no emprego formal poderão ser aproximados de empresas parceiras do programa. O diretor revelou que o ministério mantém mais de 200 parcerias no país, entre redes de farmácias, supermercados, empresas de tecnologia e organizações de outros setores.
Saumíneo também destacou o peso das políticas de inclusão social e produtiva em Sergipe. Segundo ele, aproximadamente 55% das famílias do estado estão inscritas no Cadastro Único e mais de 30% recebem algum dos benefícios acessados por meio dessa base. No cenário nacional, a taxa média de desemprego caiu de 14% em 2021 para 5,6% em 2025, o menor resultado anual da série iniciada em 2012. O dirigente acrescentou que pessoas do CadÚnico responderam por 87% do saldo líquido de empregos formais no período citado durante o evento. O dado de 5,6% é confirmado pelo IBGE.
Para quem pretende empreender, o programa prevê articulação com bancos federais. No Nordeste, o parceiro é o Banco do Nordeste, por meio de linhas como Crediamigo e Agroamigo. Saumíneo afirmou que as operações vinculadas ao Acredita terão juros reduzidos, prazos mais longos e garantia oferecida pelo próprio programa. “Não basta só a capacitação, vai precisar de recursos”, disse. Em 2024, o banco destinou mais de R$ 550 milhões em microcrédito orientado a inscritos no CadÚnico e atendeu 60 mil clientes, dos quais quase 70% eram mulheres.
Dois polos e 600 vagas
A reitora do IFS, Ruth Sales Gama de Andrade, afirmou que o Comunidade Criativa foi estruturado para ligar a formação profissional às possibilidades de renda. O investimento será usado na montagem dos dois polos, na oferta dos cursos e no apoio aos participantes. A Reitoria receberá um dos espaços, enquanto o segundo funcionará no Campus Lagarto.
Segundo a reitora, o Instituto também pretende aproximar os alunos do Banco do Nordeste depois da capacitação. Ela afirmou que aproximadamente 2 mil mulheres atendidas anteriormente pelo Programa Mulheres Mil já foram encaminhadas para cadastro na instituição financeira. “Não adianta capacitar e ficar em casa. Tem que entender que existe um caminho”, declarou. No Comunidade Criativa, essa trajetória deverá unir curso, orientação e acesso a instrumentos de geração de renda.
Economia solidária ocupa espaço no lançamento
A programação também abriu espaço para empreendimentos da economia solidária apresentarem produtos feitos em diferentes regiões de Sergipe. Entre os expositores estavam grupos ligados ao artesanato, à agricultura familiar, à reciclagem e à prestação de serviços. Segundo Cláudia Pereira da Silva, integrante da Executiva do Fórum Estadual de Economia Solidária e coordenadora da Rede Sergipe Solidário, o último mapeamento nacional, realizado em 2014, identificou mais de 1.900 empreendimentos desse tipo.
Cláudia explicou que os grupos chegam à rede principalmente pela articulação entre associações, cooperativas e fóruns locais. No evento, havia representantes do Alto Sertão ao litoral, incluindo artesãs de Poço Redondo, Barra dos Coqueiros e Santana do São Francisco. Para ela, a força da economia solidária está na capacidade de os próprios trabalhadores se organizarem e ampliarem seus espaços de produção e comercialização. “A gente trabalha fazendo esse trabalho de formiguinha, se unificando em rede”, afirmou.
Uma das expositoras foi Irailde Alves, artesã da Barra dos Coqueiros que trabalha com patchwork e fuxico desde 2002. O início da atividade veio depois de um período de depressão e crises de ansiedade, quando uma amiga sugeriu que ela participasse de um curso. A formação começou no bairro Santa Maria e continuou em outras oficinas de corte, costura e artesanato.
Com o aperfeiçoamento, Irailde passou a participar de feiras e a levar seus produtos para fora do estado. Cerca de duas semanas antes do lançamento, ela esteve durante cinco dias no Festival Nacional da Economia Popular e Solidária, no Rio de Janeiro, onde comercializou as peças na região da Praça Mauá. “Foi onde eu renasci e curei a minha depressão através do meu artesanato”, contou a artesã, que hoje integra a Associação da Casa da Doméstica.


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