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INCLUSÃO PRODUTIVA

IFS lança projeto de R$ 1,4 milhão para qualificar 600 pessoas em Sergipe

Publicado: Sexta, 26 de Junho de 2026, 08h51

público JPGExecutado pelo Instituto, o Comunidade Criativa integra a frente de capacitação do Acredita no Primeiro Passo, programa federal que também atua no acesso ao emprego, no empreendedorismo e no crédito

O Instituto Federal de Sergipe (IFS) lançou, nesta sexta-feira, 26, o Projeto Comunidade Criativa, iniciativa que destinará mais de R$ 1,4 milhão à qualificação de 600 pessoas em situação de vulnerabilidade social. A cerimônia foi realizada na Reitoria, em Aracaju, e formalizou a participação do Instituto no Acredita no Primeiro Passo, programa coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Em Sergipe, o IFS será responsável pela execução da frente de capacitação profissional. O projeto terá dois polos tecnológicos, instalados na Reitoria e no Campus Lagarto, com turmas de 30 participantes. Das 600 vagas previstas, pelo menos 60% serão destinadas às mulheres e até 40% aos homens. Cooperativas também poderão participar das formações.

O Comunidade Criativa oferecerá cursos de modelagem de vestuário, estampagem de tecidos, guia de turismo e vendas e atendimento ao cliente. A estrutura inclui material didático, transporte, lanche e oficinas de empreendedorismo social. Os polos serão equipados para receber as atividades e apoiar a transformação dos conhecimentos adquiridos em trabalho, prestação de serviços ou pequenos negócios.

A capacitação, porém, é apenas uma parte do Acredita no Primeiro Passo. Voltado às pessoas inscritas no Cadastro Único, o programa federal reúne qualificação profissional, encaminhamento para vagas de emprego, apoio ao empreendedorismo e acesso a microcrédito com condições diferenciadas. A iniciativa atende pessoas de 16 a 65 anos e prioriza mulheres, jovens, pessoas negras, pessoas com deficiência e integrantes de comunidades tradicionais.

Capacitação conectada a emprego e crédito

Saumineo JPGDiretor do Departamento de Apoio à Inserção no Trabalho do MDS, Saumíneo da Silva Nascimento explicou que os participantes interessados no emprego formal poderão ser aproximados de empresas parceiras do programa. O diretor revelou que o ministério mantém mais de 200 parcerias no país, entre redes de farmácias, supermercados, empresas de tecnologia e organizações de outros setores.

Saumíneo também destacou o peso das políticas de inclusão social e produtiva em Sergipe. Segundo ele, aproximadamente 55% das famílias do estado estão inscritas no Cadastro Único e mais de 30% recebem algum dos benefícios acessados por meio dessa base. No cenário nacional, a taxa média de desemprego caiu de 14% em 2021 para 5,6% em 2025, o menor resultado anual da série iniciada em 2012. O dirigente acrescentou que pessoas do CadÚnico responderam por 87% do saldo líquido de empregos formais no período citado durante o evento. O dado de 5,6% é confirmado pelo IBGE.

Para quem pretende empreender, o programa prevê articulação com bancos federais. No Nordeste, o parceiro é o Banco do Nordeste, por meio de linhas como Crediamigo e Agroamigo. Saumíneo afirmou que as operações vinculadas ao Acredita terão juros reduzidos, prazos mais longos e garantia oferecida pelo próprio programa. “Não basta só a capacitação, vai precisar de recursos”, disse. Em 2024, o banco destinou mais de R$ 550 milhões em microcrédito orientado a inscritos no CadÚnico e atendeu 60 mil clientes, dos quais quase 70% eram mulheres.

Dois polos e 600 vagas

Ruth JPGA reitora do IFS, Ruth Sales Gama de Andrade, afirmou que o Comunidade Criativa foi estruturado para ligar a formação profissional às possibilidades de renda. O investimento será usado na montagem dos dois polos, na oferta dos cursos e no apoio aos participantes. A Reitoria receberá um dos espaços, enquanto o segundo funcionará no Campus Lagarto.

Segundo a reitora, o Instituto também pretende aproximar os alunos do Banco do Nordeste depois da capacitação. Ela afirmou que aproximadamente 2 mil mulheres atendidas anteriormente pelo Programa Mulheres Mil já foram encaminhadas para cadastro na instituição financeira. “Não adianta capacitar e ficar em casa. Tem que entender que existe um caminho”, declarou. No Comunidade Criativa, essa trajetória deverá unir curso, orientação e acesso a instrumentos de geração de renda.

Economia solidária ocupa espaço no lançamento

Claudia JPGA programação também abriu espaço para empreendimentos da economia solidária apresentarem produtos feitos em diferentes regiões de Sergipe. Entre os expositores estavam grupos ligados ao artesanato, à agricultura familiar, à reciclagem e à prestação de serviços. Segundo Cláudia Pereira da Silva, integrante da Executiva do Fórum Estadual de Economia Solidária e coordenadora da Rede Sergipe Solidário, o último mapeamento nacional, realizado em 2014, identificou mais de 1.900 empreendimentos desse tipo.

Cláudia explicou que os grupos chegam à rede principalmente pela articulação entre associações, cooperativas e fóruns locais. No evento, havia representantes do Alto Sertão ao litoral, incluindo artesãs de Poço Redondo, Barra dos Coqueiros e Santana do São Francisco. Para ela, a força da economia solidária está na capacidade de os próprios trabalhadores se organizarem e ampliarem seus espaços de produção e comercialização. “A gente trabalha fazendo esse trabalho de formiguinha, se unificando em rede”, afirmou.

Irailde JPGUma das expositoras foi Irailde Alves, artesã da Barra dos Coqueiros que trabalha com patchwork e fuxico desde 2002. O início da atividade veio depois de um período de depressão e crises de ansiedade, quando uma amiga sugeriu que ela participasse de um curso. A formação começou no bairro Santa Maria e continuou em outras oficinas de corte, costura e artesanato.

Com o aperfeiçoamento, Irailde passou a participar de feiras e a levar seus produtos para fora do estado. Cerca de duas semanas antes do lançamento, ela esteve durante cinco dias no Festival Nacional da Economia Popular e Solidária, no Rio de Janeiro, onde comercializou as peças na região da Praça Mauá. “Foi onde eu renasci e curei a minha depressão através do meu artesanato”, contou a artesã, que hoje integra a Associação da Casa da Doméstica.

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