Campus Estância promove intercâmbio cultural com Instituto Kariri-Xocó
Estudantes e servidores visitam comunidade indígena para se aproximar da realidade dos povos originários
*Por Carole Ferreira da Cruz
Com a missão de promover a integração entre os conhecimentos teóricos sobre a cultura indígena e a uma imersão histórico-cultural, o Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Estância levou mais de 30 estudantes e servidores para conhecer o Instituto Kariri-Xocó, no município de Porto Real do Colégio, Alagoas. O objetivo foi aproximar a comunidade acadêmica da realidade dos povos originários durante a Semana Indígena comemorada no mês de abril.
A excursão iniciou com a recepção pelas lideranças no espaço comunitário e terminou com a feira de artesanato para que os visitantes pudessem adquirir a produção material da comunidade e contribuir para o fortalecimento da economia local. A programação contou ainda com uma roda de conversa que buscou dialogar sobre a história da etnia, o processo de retomada das terras e a fusão cultural Kariri e Xocó como forma de resistência e sobrevivência que resultou num grupo indígena único.
Um dos momentos mais emocionantes foi a participação na dança sagrada, o ritual do Toré, e nos cânticos tradicionais: uma verdadeira vivência cultural que promoveu ricas trocas e compartilhou saberes. A inciativa teve uma abordagem interdisciplinar nas áreas de Geografia, História, Biologia, Química, Português e Filosofia e contou com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), do Laboratório de História (LabHist) e do Núcleo de Igualdade de Gênero e Diversidade Sexual (Nigeds).
Os participantes tiveram a oportunidade de saber mais sobre a pigmentação da pele por meio da produção de tintas naturais de jenipapo e carvão, o uso medicinal de ervas, o dialeto, a culinária e outros conhecimentos tracionais. O desejo de conhecer para pertencer enriqueceu ainda mais o encontro com a ancestralidade que perpassa o povo brasileiro - eternizado nas palavras de um dos integrantes da comunidade: “dentro de cada um de nós tem sangue indígena correndo nas veias”.
Pertencimento
As atividades foram pensadas no intuito de estimular o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre a formação histórica brasileira, a diversidade étnica e a preservação ambiental, além de ampliar a visão dos estudantes sobre a importância da preservação da memória, dos saberes tradicionais e da relação sustentável com o Rio São Francisco. Quem viveu a experiência voltou mais consciente e com um maior sentimento de pertencimento em relação aos povos originários.
Segundo a professora Talita Cabral Machado, a visita foi proveitosa, uma vez que os estudantes se mostraram participativos e atentos durante todo o processo. “Além disso, a experiência contribuiu significativamente para a desconstrução de visões estereotipadas sobre os povos indígenas, possibilitando a construção de uma compreensão mais crítica e sensível, a partir do contato direto com os próprios indígenas, suas lutas, percepções de mundo e relação com a natureza”, ressaltou.
Para a coordenadora do NEABI e da biblioteca Gilberto Amado, Ingrid Fabiana de Jesus Silva, o entusiasmo dos estudantes reitera o quanto a atividade foi importante. “Em todos os momentos, senti-me acolhida e pertencente àquela cultura. A comunidade indígena Kariri-Xocó foi extremamente receptiva e amorosa com todos. Saí de lá com muito aprendizado e com o coração e a alma leves, convicta de que voltarei em breve. Todos ficaram plenos de conhecimento e revigorados!”, destacou.
O sentimento de pertencimento foi partilhado por Murilo Gabriel Bonfim Silva, 16 anos, do curso Sistema em Energias Renováveis. “Foi muito enriquecedor conhecer nossos ancestrais e quebrar os estigmas estruturados em torno deles. Uma palavra que resume tudo é pertencimento, ao saber que o meu sangue vem deles também e a história deles é, de algum modo, a minha história. Queria agradecer ao Naebi e, principalmente, ao LabHist por nos dar a oportunidade de conhecer esse povo tão rico em diversos aspectos”, afirmou.
Acolhimento
Guilherme Vidal Sobral, 18 anos, do curso de Eletrotécnica, ficou comovido com o acolhimento recebido. “Aprendi bastante sobre a aldeia, a história que passou de geração para geração, os rituais, as danças, as pinturas, o respeito que eles têm pelo ‘grande espírito’ e a língua, como a palavra ‘inatequire’, que significa obrigado. Eu tinha uma visão diferente sobre eles, mais quando eu cheguei lá vi que tudo era diferente, me sentir acolhido, me senti em casa. E com certeza eu voltaria mais vezes para lá!”, relatou.
Aluna do curso de Edificações, Ysla Sthefany Santos Oliveira, 16 anos, viveu momentos inesquecíveis. “Tive a oportunidade de conhecer um pouco da história dessa cultura maravilhosa. O ambiente que ficamos foi super acolhedor, eles nos deram total atenção, fizeram com que tivéssemos a melhor experiência possível. Tivemos também uma visão totalmente diferente do que muitas pessoas acham dos povos originários, que falaram sobre a língua, a ancestralidade e a convivência uns com os outros”, enfatizou.


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