Projeto do Campus Estância ensina meninas da rede pública a programar
Iniciativa vai beneficiar 17 estudantes do 9° ano que sonham em mudar de vida
Por Carole Ferreira da Cruz
Inspirado na deusa romana que simboliza a renovação, a luz e os novos começos, o projeto Aurora do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Estância busca promover a inclusão de meninas do ensino fundamental da rede pública municipal na área de programação de computadores. A iniciativa vai beneficiar 17 estudantes do 9° ano da Escola Professor Dorijan dos Santos.
De autoria da coordenadora do curso integrado em Programação de Jogos Digitais, professora Jamille Madureira, a iniciativa desenvolve as atividades num ambiente formativo composto exclusivamente por mulheres e conta com o apoio de quatro monitoras. A intenção é promover identificação, acolhimento e fortalecimento da autoconfiança das participantes. As aulas ocorrem ao longo de todo o ano letivo de 2026.
A concepção do projeto dialoga com elementos que favorecem a transformação e abertura de possibilidades para as meninas envolvidas. “Historicamente, a computação teve como uma de suas precursoras Ada Lovelace, reconhecida como por desenvolver o primeiro algoritmo da história, marco fundamental para a área. No entanto, ao longo do tempo, passou a ser compreendida e ocupada predominantemente como um campo masculino”, ressaltou Jamille Madureira.
Atenta às discussões sobre feminismo, a professora decidiu atuar na promoção de mudanças que impactem positivamente a vida de mulheres ao seu redor. “Optei por trabalhar com meninas da rede pública, por compreender que este é um momento decisivo de formação, no qual começam a refletir sobre o futuro acadêmico e profissional, incluindo a possibilidade de ingressar no IFS. Além disso, muitas delas possivelmente não têm acesso regular a computadores, o que reforça a importância de iniciativas de inclusão digital”, enfatizou.
Novas perspectivas
O projeto Aurora vai além de introduzir meninas no universo da programação: fortalece a autoconfiança, amplia as perspectivas de futuro e mostra que as participantes são capazes de aprender qualquer área do conhecimento e de ocupar os espaços profissionais que desejarem, inclusive aqueles socialmente associados ao universo masculino.
Embora haja avanços e maior debate sobre inclusão de gênero, meninas e mulheres ainda enfrentam desafios na área, tais como: estereótipos de que tecnologia é “coisa de homem”, baixa representatividade feminina na área e, muitas vezes, ambientes acadêmicos e profissionais pouco acolhedores. Além disso, podem lidar com desigualdade de oportunidades, menor reconhecimento e até episódios de discriminação.
Para a monitora Lara Beatriz Bomfim dos Santos, 16 anos, a experiência tem sido gratificante. “As meninas me impressionam e a cada encontro consigo ver o quanto elas estão empenhadas e ansiosas com o aprendizado. Na sala eu, minhas colegas e a professora Jamille buscamos deixar as meninas livres e confortáveis: um ambiente sem julgamentos, onde buscamos nos conectar e entender as dificuldades delas”, salientou.
A colega de monitoria, Maria Eduarda Santos, 16 anos, partilha do sentimento de gratificação. "Minha experiência tem sido incrível. As meninas são super inteligentes, simpáticas e aprendem muito rápido. Eu estou gostando muito de ser monitora; está sendo uma experiência inesquecível. Com o auxílio da professora Jamille, ensinar está mais fácil e aprender ainda mais”, relatou.
A aluna Dâmares Dos Santos lima, 14 anos, está fascinada com o universo da programação. “No começo, eu achei que seria difícil, mas está sendo até fácil. Durante o curso, aprendi várias coisas novas, como criar cenários, desenvolver projetos e resolver problemas de forma mais organizada. Além do aprendizado técnico, o curso também me ensinou a persistir e não desistir quando algo parece complicado. Cada erro virou uma oportunidade de aprender mais”, destacou.
Ana Vitória Alves Santos, 14 anos, está descobrindo que é possível aprender com diversão. "Minha experiência está sendo ótima e acho muito legal as aulas. Estou aprendendo muitas coisas novas e cada vez mais ansiosa para ter mais conhecimento. Esse curso vai abrir portas rumo ao mundo do trabalho e com certeza irá me ajudar bastante”, comemorou.
Sobre o projeto
O Aurora nasceu como projeto parceiro do Programa Meninas Digitais da Sociedade Brasileira de Computação e, posteriormente, conseguiu aprovação no Edital de Pesquisa 27/2025/PROPEX/IFS - Diversidade na Ciência (Linha 1 – Mulher, Gênero e Feminismo na Ciência). A iniciativa é resultado da pesquisa de estágio pós-doutoral da professora Jamille Madureira no Programa de Pós-graduação em Ciências, Tecnologias e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (UFF).


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