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HISTÓRIA PARA TODOS

Projeto SER-DIGITAL aproxima sociedade da educação patrimonial

Publicado: Sexta, 31 de Julho de 2026, 10h36 | Última atualização em Sexta, 31 de Julho de 2026, 10h49

Iniciativa transforma espaços de memória em recursos educativos acessíveis para estudantes e toda a comunidade

Por Carole Ferreira da Cruz

Projeto Ser Digital 1Imagine poder visitar museus, arquivos, igrejas, centros históricos e outros espaços de memória sem sair de casa? Essa é a proposta original da mais nova iniciativa do Laboratório de História (LabHist): o projeto SER-DIGITAL do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Estância, que nasceu para aproximar as pessoas e as instituições de educação do patrimônio histórico e cultural de Sergipe por meio da produção de Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAs).

Projeto Ser Digital 3A ideia é transformar esses espaços em recursos educativos acessíveis para estudantes, professores e toda a comunidade. O objetivo é democratizar o acesso ao patrimônio e mostrar que, ao utilizar as tecnologias digitais como aliadas da educação, a história pode ser compreendida e sentida de diferentes formas. Todo o material já começou a ser disponibilizado gratuitamente em canais do LabHist no Instagram, YouTube e Spotify para fins de divulgação das ações, consulta, pesquisa e usos didáticos.

Projeto Ser Digital 6O projeto selecionou quatro alunos dos cursos técnicos integrados do Campus Estância, que participam de todas as etapas: pesquisa de temas, escolha das locações, visitas técnicas, entrevista com especialistas, captação de imagens e som, produção de roteiros e edição dos conteúdos. Entre os produtos previstos estão vídeos educativos, podcasts, fotografias, materiais de divulgação científica e demais recursos educacionais digitais interativos que podem ser usados em salas de aula ou demais atividades pedagógicas.

Projeto Ser Digital 5Atualmente, a equipe está na fase de finalização de vários objetos digitais e demais conteúdos audiovisuais. Já foi concluído o ODA do Complexo Santa Cruz, importante patrimônio histórico-cultural e arquitetônico de Estância, composto pela antiga fábrica de tecidos, vilas operárias, creche e antigos espaços de lazer dos trabalhadores. Estão em andamento o ODA do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão (MASSC), assim como a edição de podcasts, roteiros e vídeos que serão publicados ao longo dos próximos meses. Em setembro está prevista conclusão do ODA do Museu de Arqueologia de Xingó.

Projeto Ser Digital 7Para a idealizadora do projeto, professora Lorena Campello, sua grande motivação foi se apropriar das tecnologias digitais para oportunizar às pessoas conhecer e entender a própria história, cultura e memória. “O SER-DIGITAL nasceu justamente desse encontro entre educação patrimonial, tecnologia e protagonismo estudantil. A inspiração foi criar materiais que permanecessem disponíveis para qualquer um e em qualquer lugar, ampliando o alcance dessas experiências”, ressaltou.

História também está nas telas

Lorena ressalta que a história hoje transpõe muros e ruas. “As telas se tornaram um dos principais meios pelos quais as pessoas têm contato com o conhecimento. Isso não substitui a experiência de visitar um museu ou caminhar por um centro histórico, mas amplia muito o acesso. Hoje podemos utilizar vídeos, podcasts, ambientes virtuais e Objetos Digitais de Aprendizagem para despertar a curiosidade, incentivar visitas presenciais e aproximar diferentes públicos do patrimônio. A tecnologia não afasta as pessoas da história. Quando bem utilizada, ela pode ser uma ponte entre o patrimônio e a sociedade”, argumentou. 

O envolvimento estudantil é tamanho que os alunos não só executam as atividades, mas propõem ideias, gravam, fotografam, entrevistam e ajudam a construir cada material. E o mais importante: passam a ter um olhar diferenciado sobre o patrimônio e percebem que também podem produzir conhecimento. Ao deixar a sala de aula e vivenciar a história a partir de experiências imersivas, os estudantes potencializam o aprendizado e crescem intelectualmente.

​Para Lara Vitória Silva Falcão, 17 anos, do curso integrado de Edificações, participar do projeto significa uma oportunidade única de contribuir com a preservação histórica. “O projeto SER-DIGITAL parte do problema do acesso restrito aos espaços de memória, às instituições de documentação e aos patrimônios histórico-ambientais de Sergipe. Ao integrar tecnologia e preservação, a iniciativa conecta o público aos acervos documentais e a esses espaços, garantindo um acesso mais amplo, inclusivo e permanente”, relatou.

O SER-DIGITAL passou a ocupar um lugar especial no coração de Murilo Gabriel Bonfim Silva, 16 anos, do curso Sistema em Energias Renováveis, ao ajudar a disseminar a educação patrimonial para comunidades excluídas. “O projeto trouxe para mim um protagonismo e uma formação capaz de aprimorar os meus dons e o que eu gosto de fazer, a partir de um trabalho feito com muito cuidado e profissionalismo. Sem falar que muitos estudantes de Sergipe têm dificuldade de acessar os locais de memória e esse acesso vai além ao influenciar os professores, os funcionários e as próprias famílias”, enfatizou.

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