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Debate

Roda de conversa discute machismos cotidianos

Publicado: Terça, 14 de Abril de 2026, 10h30 | Última atualização em Terça, 14 de Abril de 2026, 11h04

A conscientização contra o machismo e a misoginia é potencializada na escola

WhatsApp Image 2026 04 14 at 09.00.37Como o avanço do machismo potencializa a violência contra a mulher? Por que a educação é um instrumento de transformação social no combate à violência de gênero? Essas e outras inquietantes questões foram discutidas na roda de conversa 'machismos cotidianos'. O evento realizado na última semana, no Instituto Federal de Sergipe - Campus São Cristóvão, teve a participação de Wanderlan Porto, doutor em Filosofia, e de Linda Brasil, autora da legislação estadual voltada ao combate ao machismo e valorização do protagonismo feminino.

WhatsApp Image 2026 04 14 at 09.01.34O encontro marcou o início das atividades anuais do Núcleo de Igualdade de Gênero e Diversidade Sexual (Nigeds) e do Laboratório de Linguagens, Letramentos e Literatura (LabLilit). Manuela Rodrigues, coordenadora do Nigeds, explicou que a ação foi o primeiro passo de um processo de formação contínua. "O Núcleo quer pensar ações que envolvem estudos e escuta, voltados para as questões de gênero e diversidade sexual na instituição", descreveu. De acordo com a coordenadora, a roda de conversa buscou refletir sobre a desigualdade de gênero, ressaltando que o patriarcado, embora seja um sistema, se manifesta por meio de práticas como o machismo e a misoginia. Para Eduardo Carpejani, chefe do Departamento de Desenvolvimento Institucional, os núcleos de diversidade viabilizam a realização de discussões voltadas ao fortalecimento do tema e à conscientização dos estudantes.

Indicadores de violência de gênero

Um levantamento do King’s College de Londres, produzido em parceria com o Instituto Ipsos, que analisou percepções sobre igualdade de gênero em 29 países, incluindo o Brasil, revelou que homens mais jovens tendem, em maior proporção, a adotar visões tradicionais sobre os papéis de gênero. Por isso, a relevância de abordar a pauta e promover a reflexão no meio acadêmico. "Quando se traz o debate sobre o machismo para o contexto escolar, sabe-se que se está lidando com um tema fraturante, um tema sensível, que perpassa todas as nossas vivências, mas que nos afeta de maneiras diferentes", observou Jocelaine Oliveira, coordenadora do LabLilit.

WhatsApp Image 2026 04 14 at 09.01.14Dados do estudo indicam, ainda, que 43% dos brasileiros consideram que a busca pela igualdade de gênero foi além do necessário e passou a desfavorecer os homens. Segundo Wanderlan Porto, doutor em Filosofia, essa percepção é uma armadilha perigosa. Para ele, o homem, ao notar que não é escolhido pelas mulheres e que o sistema as favorece, passa a vê-las como adversárias. Diante disso, eles entendem que devem se fechar e buscar um sistema de pertencimento como forma de resposta a esse cenário. "É assim que o Red Pill, em grande síntese, funciona. E qual é a base de captação desses grupos? Jovens entre 15 e 17 anos, e jovens entre 19 e 25 anos", alertou.

É no ambiente digital que acontece o recrutamento desse público. Linda Brasil enfatizou que movimentos como a chamada ‘machosfera’, organizados em células, difundem conteúdos e estimulam atitudes de superioridade e violência contra as mulheres. “O machismo está aumentando porque, infelizmente, a internet se tornou um espaço em que pessoas se sentem à vontade para disseminar comportamentos misóginos", afirmou.

Wanderlan Porto ressaltou a relevância do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) no combate à misoginia. "Qualquer um de vocês, ao se deparar com conteúdos que os ofendam enquanto pessoas, pode denunciá-los. É preciso denunciar, porque esse tipo de ataque, embora pareça inocente, seja em redes de jogos ou em redes sociais, é extremamente violento", defendeu.

Violência contra mulher

WhatsApp Image 2026 04 14 at 09.20.41O avanço do machismo impacta a violência contra a mulher. Eles se retroalimentam. Em janeiro, os novos processos por violência doméstica somaram cerca de 8,3% do total registrado ao longo de todo o ano de 2025, que ultrapassou 1,2 milhão de casos, conforme o Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dados do painel 'Justiça em Números', do CNJ, indicam que Sergipe registrou, nos dois primeiros meses de 2026, 14 novos processos de feminicídio. O indicador considera apenas as ações judiciais, e não o número de vítimas, cuja contabilização é realizada por órgãos de segurança pública. Ainda assim, o dado contribui para dimensionar o problema e reforça a importância de ações preventivas.

WhatsApp Image 2026 04 14 at 08.57.25A campanha permanente de combate ao machismo e promoção da igualdade de gênero, estabelecida pela Lei n. 9802, de 10 de dezembro de 2025, visa formar estudantes mais conscientes sobre desigualdades históricas e suas consequências, contribuindo para a prevenção da violência de gênero. Conforme Linda Brasil, autora da legislação, o machismo, expresso em práticas cotidianas de violência contra as mulheres, tem como base o ódio ao feminino. Segundo ela, a maioria dos casos de feminicídio e de violência ocorre em relacionamentos duradouros, muitas vezes de médio e longo prazo, e tende a se agravar quando a mulher decide romper a relação, situação que o homem não aceita. Salientou que a educação é o caminho para promover mudanças na sociedade.

Assim, por meio de atividades pedagógicas, debates e conteúdos educativos, como a roda de conversa promovida pelo Nigeds e LabLilit, os estudantes poderão identificar e combater as práticas discriminatórias, bem como violências estruturais, tornando-se agentes de transformação social. "Eu acho que a mesa proporciona esse acesso à lei, que foi aprovada recentemente, e possibilita aos estudantes refletirem sobre o papel deles no mundo", observou Jocelaine. Para ela, há interesse dos estudantes sobre o tema, porém, eles ainda encontram algumas barreiras, muitas vezes ligadas ao acesso às informações. Por isso, a iniciativa contribuiu para dar visibilidade à discussão sobre gênero e fortalecer a literacia dos estudantes, capacitando-os como agentes de transformação. "É papel da educação estimular o pensamento crítico, como também incentivar valores como equidade, empatia e cidadania", ressaltou.

Como denunciar

O canal Disque 180 oferece atendimento às mulheres em situação de violência. O contato pode ser utilizado para denúncias, realizadas por vítimas ou terceiros, para acesso a informações sobre direitos e para obtenção de atendimento especializado.

Casos de descumprimento do ECA Digital, como divulgação de conteúdos que fomentam misoginia e violência contra a mulher, podem ser comunicados por meio do Disque 100.

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