Estudantes de Agropecuária vivenciam práticas sustentáveis em visitas técnicas na Bahia e em Pernambuco
Roteiro incluiu experiências em agroecologia, produção integrada, educação ambiental e vitivinicultura, com atividades realizadas entre 17 e 19 de dezembro
Entre os dias 17 e 19 de dezembro, estudantes do 3º ano do curso técnico em Agropecuária do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Glória participaram de uma série de visitas técnicas nos municípios de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. A atividade teve como foco aproximar os alunos de experiências práticas ligadas à agroecologia, à sustentabilidade, à extensão rural, à pesquisa aplicada e à produção agroindustrial, consolidando conteúdos trabalhados em sala de aula e ampliando a compreensão sobre as dinâmicas produtivas do Semiárido.
A programação reuniu instituições de ensino e pesquisa do Vale do São Francisco e contou com o acompanhamento dos docentes Ronise Nascimento de Almeida, Rodrigo da Silva Menezes e Roseane Santos de Jesus. Ao longo do percurso, os estudantes tiveram contato direto com sistemas produtivos integrados, iniciativas voltadas à segurança alimentar e projetos que articulam ensino, pesquisa e extensão, em uma vivência que buscou conectar formação técnica, realidade social e responsabilidade ambiental.
A primeira atividade ocorreu no dia 17, no Sisteminha, Sistema de Produção Integrada desenvolvido no Espaço Plural da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro. O modelo apresentado integra criação animal, cultivo vegetal e reaproveitamento de resíduos, com baixo custo e foco na convivência com o Semiárido, sendo direcionado principalmente a famílias em situação de vulnerabilidade social. Durante a visita, os estudantes participaram de diálogos sobre agroecologia e extensão rural, além de uma oficina prática de compostagem, que tratou do reaproveitamento de resíduos orgânicos e da aplicação do composto em sistemas produtivos sustentáveis.
Para Camilly Vitória da Silva de Jesus, a experiência evidenciou o impacto social do projeto, ao mostrar que é possível produzir alimentos de forma simples e acessível, garantindo segurança alimentar e geração de renda. “Ele possibilita a produção de alimentos de forma simples, sustentável e com baixo custo, integrando diferentes atividades e fortalecendo a agricultura familiar”, avaliou. Na mesma linha, Thyerre de Santana Farias destacou o caráter social da iniciativa, ao considerar que o contato com o Sisteminha ajudou a compreender soluções viáveis para famílias de baixa renda. “Ajuda a entendermos a importância de promover segurança alimentar com uma alternativa barata e possível”, disse.
Do ponto de vista pedagógico, o docente Rodrigo da Silva Menezes ressaltou que a visita permitiu visualizar, na prática, um sistema agroecológico integrado, capaz de inspirar novas ideias a serem replicadas no próprio campus. “Foi uma atividade significativa, porque apresenta diferentes tipos de produção animal e vegetal funcionando de forma articulada”, explicou.
Aprendizado além da sala
No dia 18, a programação seguiu no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) – Campus Petrolina Zona Rural. Um dos destaques foi a Trilha Ecológica Inclusiva, espaço voltado à educação ambiental, à preservação da Caatinga e à acessibilidade, com estruturas adaptadas para garantir a participação de pessoas com deficiência. Ao longo do percurso, os alunos conheceram espécies nativas, discutiram conservação ambiental e refletiram sobre inclusão em espaços educativos.
Ainda no campus, os estudantes participaram de diálogos no Núcleo de Extensão em Agroecologia (NEA), onde foram abordadas práticas como compostagem com micro-organismos eficientes, consórcios de culturas, uso de caldas protetoras e a importância do meliponário. Para Nícolas Santana Souza, esse contato direto tornou o aprendizado mais concreto e significativo, ao aproximar teoria e prática. “Foi possível ver, na prática, ideias que geralmente ficam só na teoria, especialmente no trabalho desenvolvido pelo NEA”, avaliou.
A visita incluiu também a Escola do Vinho do IFSertãoPE, estrutura que funciona como uma vinícola completa e permite acompanhar todas as etapas de elaboração do vinho, da produção às análises laboratoriais. Victória Camylle da Silva Santos destacou que conhecer esse espaço ampliou a visão sobre o potencial produtivo e científico da região. “Mostrou todo o processo envolvido e valorizou o aprendizado prático aliado à ciência”, afirmou.
Além dos aspectos técnicos observados ao longo do roteiro, os estudantes também destacaram o impacto formativo da vivência coletiva e do contato com diferentes realidades institucionais. Maria Clara Silva Moreira avaliou que a experiência na UNIVASF contribuiu diretamente para a compreensão do papel social da educação pública, ao apresentar iniciativas voltadas ao enfrentamento da insegurança alimentar. “O Sisteminha vai além do ensino teórico, porque promove inclusão social, sustentabilidade e dignidade, reforçando o papel da universidade como agente transformador”, explicou. Já Ruan Santos Souza ressaltou que a passagem pelo IFSertãoPE ampliou sua percepção sobre a integração entre ensino, meio ambiente e desenvolvimento regional. “Foi uma vivência muito significativa, que mostrou como a formação técnica pode caminhar junto com a sustentabilidade e a inovação no meio rural”, afirmou.
Ao avaliar o conjunto das atividades, a docente Ronise Nascimento de Almeida destacou que as vivências reforçam uma formação que vai além do conteúdo técnico, ao integrar conhecimento, território e prática educativa. “São experiências que evidenciam o protagonismo dos alunos e a importância de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula”, disse. As visitas técnicas, nesse contexto, contribuíram para ampliar a visão crítica dos estudantes e fortalecer uma formação alinhada às demandas sociais, ambientais e produtivas do Semiárido.


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