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FORMAÇÃO

Estudantes de Agropecuária vivenciam práticas sustentáveis em visitas técnicas na Bahia e em Pernambuco

Publicado: Terça, 13 de Janeiro de 2026, 08h55

NEA 3Roteiro incluiu experiências em agroecologia, produção integrada, educação ambiental e vitivinicultura, com atividades realizadas entre 17 e 19 de dezembro

Entre os dias 17 e 19 de dezembro, estudantes do 3º ano do curso técnico em Agropecuária do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Glória participaram de uma série de visitas técnicas nos municípios de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. A atividade teve como foco aproximar os alunos de experiências práticas ligadas à agroecologia, à sustentabilidade, à extensão rural, à pesquisa aplicada e à produção agroindustrial, consolidando conteúdos trabalhados em sala de aula e ampliando a compreensão sobre as dinâmicas produtivas do Semiárido.

A programação reuniu instituições de ensino e pesquisa do Vale do São Francisco e contou com o acompanhamento dos docentes Ronise Nascimento de Almeida, Rodrigo da Silva Menezes e Roseane Santos de Jesus. Ao longo do percurso, os estudantes tiveram contato direto com sistemas produtivos integrados, iniciativas voltadas à segurança alimentar e projetos que articulam ensino, pesquisa e extensão, em uma vivência que buscou conectar formação técnica, realidade social e responsabilidade ambiental.

Sisteminha 2A primeira atividade ocorreu no dia 17, no Sisteminha, Sistema de Produção Integrada desenvolvido no Espaço Plural da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro. O modelo apresentado integra criação animal, cultivo vegetal e reaproveitamento de resíduos, com baixo custo e foco na convivência com o Semiárido, sendo direcionado principalmente a famílias em situação de vulnerabilidade social. Durante a visita, os estudantes participaram de diálogos sobre agroecologia e extensão rural, além de uma oficina prática de compostagem, que tratou do reaproveitamento de resíduos orgânicos e da aplicação do composto em sistemas produtivos sustentáveis.

Para Camilly Vitória da Silva de Jesus, a experiência evidenciou o impacto social do projeto, ao mostrar que é possível produzir alimentos de forma simples e acessível, garantindo segurança alimentar e geração de renda. “Ele possibilita a produção de alimentos de forma simples, sustentável e com baixo custo, integrando diferentes atividades e fortalecendo a agricultura familiar”, avaliou. Na mesma linha, Thyerre de Santana Farias destacou o caráter social da iniciativa, ao considerar que o contato com o Sisteminha ajudou a compreender soluções viáveis para famílias de baixa renda. “Ajuda a entendermos a importância de promover segurança alimentar com uma alternativa barata e possível”, disse.

Do ponto de vista pedagógico, o docente Rodrigo da Silva Menezes ressaltou que a visita permitiu visualizar, na prática, um sistema agroecológico integrado, capaz de inspirar novas ideias a serem replicadas no próprio campus. “Foi uma atividade significativa, porque apresenta diferentes tipos de produção animal e vegetal funcionando de forma articulada”, explicou.

Aprendizado além da sala

No dia 18, a programação seguiu no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) – Campus Petrolina Zona Rural. Um dos destaques foi a Trilha Ecológica Inclusiva, espaço voltado à educação ambiental, à preservação da Caatinga e à acessibilidade, com estruturas adaptadas para garantir a participação de pessoas com deficiência. Ao longo do percurso, os alunos conheceram espécies nativas, discutiram conservação ambiental e refletiram sobre inclusão em espaços educativos.

Ainda no campus, os estudantes participaram de diálogos no Núcleo de Extensão em Agroecologia (NEA), onde foram abordadas práticas como compostagem com micro-organismos eficientes, consórcios de culturas, uso de caldas protetoras e a importância do meliponário. Para Nícolas Santana Souza, esse contato direto tornou o aprendizado mais concreto e significativo, ao aproximar teoria e prática. “Foi possível ver, na prática, ideias que geralmente ficam só na teoria, especialmente no trabalho desenvolvido pelo NEA”, avaliou.

Escola de Vinhos 3A visita incluiu também a Escola do Vinho do IFSertãoPE, estrutura que funciona como uma vinícola completa e permite acompanhar todas as etapas de elaboração do vinho, da produção às análises laboratoriais. Victória Camylle da Silva Santos destacou que conhecer esse espaço ampliou a visão sobre o potencial produtivo e científico da região. “Mostrou todo o processo envolvido e valorizou o aprendizado prático aliado à ciência”, afirmou.

Além dos aspectos técnicos observados ao longo do roteiro, os estudantes também destacaram o impacto formativo da vivência coletiva e do contato com diferentes realidades institucionais. Maria Clara Silva Moreira avaliou que a experiência na UNIVASF contribuiu diretamente para a compreensão do papel social da educação pública, ao apresentar iniciativas voltadas ao enfrentamento da insegurança alimentar. “O Sisteminha vai além do ensino teórico, porque promove inclusão social, sustentabilidade e dignidade, reforçando o papel da universidade como agente transformador”, explicou. Já Ruan Santos Souza ressaltou que a passagem pelo IFSertãoPE ampliou sua percepção sobre a integração entre ensino, meio ambiente e desenvolvimento regional. “Foi uma vivência muito significativa, que mostrou como a formação técnica pode caminhar junto com a sustentabilidade e a inovação no meio rural”, afirmou.

Ao avaliar o conjunto das atividades, a docente Ronise Nascimento de Almeida destacou que as vivências reforçam uma formação que vai além do conteúdo técnico, ao integrar conhecimento, território e prática educativa. “São experiências que evidenciam o protagonismo dos alunos e a importância de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula”, disse. As visitas técnicas, nesse contexto, contribuíram para ampliar a visão crítica dos estudantes e fortalecer uma formação alinhada às demandas sociais, ambientais e produtivas do Semiárido.

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