Campus Glória
PESQUISA E EXTENSÃO
IFS Campus Glória realiza primeira Feira de Ciências e fortalece a...
Evento reuniu 54 projetos de diferentes áreas do conhecimento e destacou o protagonismo feminino na ciência A produção e a divulgação do conhecimento científico ganharam espaço no Alto Sertão Sergipano com a realização da primeira Feira de Ciências do Instituto Federal de Sergipe (IFS) – Campus Glória. Promovido em 27 de outubro, o evento reuniu estudantes de diferentes níveis de ensino e instituições de vários municípios sergipanos, criando um ambiente de intercâmbio de experiências, incentivo à pesquisa e aproximação entre a ciência e a comunidade regional.Com 54 projetos inscritos em diferentes áreas do conhecimento, a iniciativa mobilizou mais de 120 estudantes como apresentadores dos trabalhos e recebeu aproximadamente 200 estudantes visitantes de Nossa Senhora da Glória e de outros municípios. A programação também contou com oficinas e atividades formativas, ampliando as oportunidades de aprendizagem e integração entre as instituições participantes.Com o tema “Ciência, substantivo feminino: mulheres e meninas mudando a ciência do Alto Sertão Sergipano”, a Feira também colocou em evidência a participação feminina na produção científica, buscando estimular o interesse de meninas e adolescentes pelas carreiras científicas e contribuir para o ingresso e a permanência das mulheres nessas áreas.Para o professor Paulo Cézar da Cunha Júnior, presidente da Comissão Organizadora, ver a escola ocupada por jovens envolvidos com a produção e a divulgação do conhecimento científico foi um dos pontos altos da iniciativa. Segundo ele, a escolha do tema buscou destacar o protagonismo feminino e estimular a aproximação de meninas e adolescentes com o universo da pesquisa. “Foi gratificante ver nossa escola cheia de jovens se dedicando em prol da ciência. Eventos como este são essenciais para aproximar meninas, adolescentes e docentes da ciência. Nosso objetivo é estimular não apenas o interesse, mas principalmente o ingresso e a permanência dessas estudantes no IFS e nas carreiras científicas, provando que o lugar da mulher é, também, no laboratório e na inovação”, destacou.A experiência também foi significativa para quem participou apresentando pesquisas. A estudante Lara Maria Cardoso dos Santos, do curso técnico em Agropecuária, apresentou um trabalho sobre a variabilidade espacial do pH em área de cultivo intenso. A pesquisa permitiu aprofundar conhecimentos sobre a análise do solo e sua relação com o desenvolvimento das plantas. “Foi uma experiência ótima e importante para o meu aprendizado. Tive a oportunidade de conhecer outros trabalhos, aprender coisas novas, conhecer novas tecnologias e compartilhar meus conhecimentos com outras pessoas. Foi uma experiência que contribuiu para minha aprendizagem e minha vida acadêmica”, relatou.Já a estudante Lorena Santos Meneses, também do curso técnico em Agropecuária, participou de um minicurso sobre manejo de agrotóxicos, ministrado pelo professor Adriano Santanna, e apresentou o projeto “Raízes do Sertão”, que tem como objetivo distribuir mudas de árvores para contribuir com a recuperação ambiental de Nossa Senhora da Glória, município que enfrenta um elevado índice de desmatamento.Para ela, a Feira foi uma oportunidade de ampliar conhecimentos e conhecer iniciativas que dialogam diretamente com os desafios da região. “O minicurso abordou um tema muito importante, pois o técnico em Agropecuária corre riscos à saúde e também de perdas agrícolas ao manusear essas substâncias. Também foi muito gratificante ver tantas mulheres fazendo parte da Feira”, afirmou.Mulheres que fazem a ciênciaA valorização da presença feminina na ciência esteve presente não apenas na temática dos projetos, mas também em ações desenvolvidas durante o evento. Dois murais, produzidos em parceria entre o IFS Campus Glória e o SINASEFE Sergipe, destacaram a contribuição das mulheres para a construção do conhecimento científico.Um dos painéis apresentou cientistas que marcaram a história da ciência, entre elas Marie Curie, Bertha Lutz e Elisa Frota-Pessoa, ressaltando suas trajetórias e descobertas. O outro, intitulado “Mulheres que fazem a ciência no IFS Glória acontecer”, homenageou profissionais que atuam no cotidiano da instituição, incluindo trabalhadoras terceirizadas, técnicas administrativas e docentes.A proposta foi aproximar as referências históricas das mulheres que, em diferentes funções e áreas de atuação, contribuem diariamente para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e institucionais do campus.Projetos premiados e reconhecimento à produção científicaA programação contou ainda com uma cerimônia de premiação dos trabalhos apresentados. As categorias contemplaram projetos dos ensinos fundamental e médio, com reconhecimento para os três primeiros colocados, além de menções honrosas para trabalhos do ensino superior.O principal reconhecimento foi o prêmio de melhor trabalho geral, denominado Troféu Professora Aglaé D’Ávila Fontes. A homenagem celebra a trajetória da professora Aglaé, pesquisadora, folclorista, escritora, teatróloga e atriz, cuja contribuição se destaca na pesquisa, no ensino e na valorização da cultura popular sergipana.Entre os estudantes premiados, Dennis Levy Cruz de Lima destacou a emoção de conquistar o terceiro lugar com o trabalho “Ancestralidade e Ciência”, coordenado pela professora de Química Raiana. A pesquisa já havia sido apresentada na Feconart e também está prevista para integrar a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Aracaju. “Foi um evento muito legal e de suma importância. Gostei muito de participar, apresentar nosso trabalho e conhecer outras iniciativas. Ganhei em terceiro lugar, e isso foi muito gratificante e emocionante para mim!”, contou o estudante.Agroali amplia oportunidades de aprendizagemA primeira Feira de Ciências aconteceu simultaneamente ao Agroali, evento anual do Campus Glória que reúne pesquisadores, professores, técnicos e estudantes em atividades relacionadas à agropecuária, à alimentação e à inovação.Tradicionalmente, o Agroali integra a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Em 2026, em razão da alteração no calendário nacional da Semana, o campus optou por realizar as duas iniciativas conjuntamente, ampliando as possibilidades de formação e integração entre os participantes.A programação do Agroali foi organizada em oficinas voltadas a diferentes áreas de formação. Para os estudantes de Agropecuária, foram ofertadas as atividades “Tecnologia de Aplicação de Defensivos Agrícolas”, ministrada pelo professor Adriano Santanna, e “Mapeamento de Propriedade Rural com o Google Earth Pro”, conduzida pelo professor Rodrigo Menezes.Os estudantes do curso técnico em Alimentos participaram da oficina “Boas Práticas e Fabricação de Produtos Lácteos”, ministrada pela doutora Gladslene Góes Santos Frazão. Também foi realizada uma oficina de biscuit, conduzida pelo professor de Artes Wécio Bezerra.As atividades foram abertas aos estudantes do IFS e aos visitantes de outras instituições de ensino, proporcionando contato com diferentes técnicas, conhecimentos e experiências. No período da tarde, os alunos dos cursos técnicos apresentaram seus projetos integradores à comunidade externa, compartilhando atividades e experiências desenvolvidas no campus.Estudantes também participam da comunicaçãoO protagonismo estudantil ultrapassou os espaços de apresentação dos projetos e chegou também à cobertura da programação. As estudantes Alessandra de Santana Barros e Maria Helena dos Santos integraram a equipe de comunicação do evento, realizando registros fotográficos e audiovisuais e entrevistando participantes e visitantes.A experiência proporcionou às estudantes a oportunidade de desenvolver habilidades de comunicação, conhecer diferentes iniciativas científicas e dar visibilidade às experiências dos participantes.Para Alessandra, que atuou no apoio à comunicação, a participação foi marcada pelo aprendizado e pela descoberta de novas possibilidades. Ela também teve a oportunidade de conceder uma entrevista sobre a Lei Maria da Penha e compartilhar seu objetivo de cursar Nutrição. “Foi uma experiência muito especial e enriquecedora. Tive a oportunidade de conhecer diferentes projetos, aprender coisas novas e acompanhar de perto os trabalhos apresentados, principalmente os relacionados ao tema Mulheres e Meninas na Ciência. Foi uma experiência de muito aprendizado, que ampliou meus conhecimentos e me motivou ainda mais a continuar estudando e buscando realizar meus sonhos”, afirmou.Parcerias e expectativa de continuidadeA realização da primeira Feira de Ciências contou com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Ministério da Educação (MEC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Chamada CNPq/MCTI/MEC nº 09/2026 – Feiras de Ciência e Mostras Científicas – POP Ciência, vinculada também aos programas Escola em Tempo Integral e POP Ciência.O SINASEFE Sergipe apoiou a iniciativa por meio do Edital de Combate à Opressão e da parceria na produção dos murais sobre mulheres na ciência. Também contribuíram a empresa Divulgraf, com a doação de materiais gráficos; a Prefeitura Municipal de Nossa Senhora da Glória, com apoio institucional; a Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão (PROPEX) e o IFS Campus Glória. A primeira edição da Feira de Ciências consolida uma iniciativa de incentivo à educação científica no Alto Sertão Sergipano, aproximando instituições de ensino, estudantes e comunidade e criando oportunidades para a apresentação de pesquisas e a troca de experiências.O resultado da participação e o envolvimento dos estudantes reforçam a importância de espaços que estimulem a curiosidade, a criatividade e a produção do conhecimento desde a educação básica. Para a comissão organizadora, a expectativa é realizar uma segunda edição em 2027, ampliando a participação e fortalecendo a ciência, a educação, a cultura e a arte na região. “Estamos ansiosos para a edição de 2027! Sejamos resistência em prol da ciência, educação, cultura e arte”, concluiu o professor Paulo César Cunha.
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