Evento promove debate sobre a atuação de mulheres na arquitetura
Com as falas de três importantes arquitetas de Sergipe, o Arquitetura Delas promoveu a reflexão sobre a visibilidade da atuação feminina na área
“Mulheres na arquitetura: nós podemos muito mais” – foi com esse brado em forma de título de apresentação que a arquiteta Vera Ferreira iniciou sua fala no Arquitetura Delas, evento promovido pela Coordenadoria de Arquitetura e Urbanismo do IFS - Campus Lagarto na última quarta-feira, 25 de março. O título da fala de Vera Ferreira, de algum modo, resume o propósito principal do encontro, que foi debater e visibilizar as atuações de mulheres arquitetas dentro da área.
Estatísticas trazidas por Vera Ferreira em sua apresentação falam por si sós: dados do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) mostram que, em Sergipe, 16% dos profissionais de arquitetura não possuem informação de gênero cadastrada, 31% são homens e 53% são mulheres. Contudo, apesar de a maioria serem profissionais mulheres, pesquisas acadêmicas revelam que, nos livros de história da arquitetura, 97% dos nomes que aparecem são nomes masculinos.
Os números do CAU tornam necessário um alerta: é preciso que não se confunda a relevância de se destacarem as contribuições de mulheres na arquitetura com a ideia estereotipada de que arquitetura é um curso “de meninas”. Indagada sobre esse risco de equívoco interpretativo, a coordenadora do evento, a professora Weslainy Lemos, enfatizou que o curso é para todas as pessoas, mas que, além de possuírem uma perspectiva ampla para projetos que possuem questões críticas, as mulheres precisam ser lembradas quando se fala de grandes feitos da arquitetura.
“Precisamos mostrar às pessoas que cursam arquitetura que, ao se pesquisarem nomes de referência na área, podemos encontrar Rosa Kliass e Lina Bo Bardi, e não apenas Oscar Niemeyer ou Roberto Burle Marx”, relatou com ênfase a professora em um sinal claro de que, em uma área na qual a perspectiva é tão importante, é importante ampliar os ângulos de visão daqueles que pensam a perspectiva antes mesmo de ela ir para o projeto.
Embora as falas das arquitetas Ana Libório e Hertha Dantas tenham versado sobre outros temas, como preservação patrimonial e carreira do arquiteto, as presenças delas em si ilustraram bem a tese proposta pelo evento: a arquiteta possui recurso e competência para abordar quaisquer temas dentro da arquitetura. “Por falar em carreira e a propósito do tema do evento, eu me lembro de que, quando comecei a trabalhar como arquiteta, eu era conhecida como ‘a menina do escritório’”, disse Hertha Dantas finalizando: “Parece que precisamos fazer muito mais para sermos vistas”
Ainda no início do curso, a estudante Cássia Regina relatou ter aproveitado bastante o evento porque não havia pensado a sua carreira profissional pelas lentes da questão de gênero. Cássia pensa, inclusive, que o debate pode ser estendido a outros cursos do campus, a fim de que eles vejam as próprias carreiras por outro ângulo e olhem para a arquitetura de uma outra maneira. “Essa seria uma forma de atrair mais pessoas para o curso de Arquitetura e de fazer com que a visibilidade feminina na área aumenta”, concluiu.


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